Notas do Autor #1 + Desculpas + Feliz Ano Novo!


Olá. É o Gus, espero que não tenham esquecido que eu existo /qqq. Vamo lá, primeiro eu tenho que fazer um grande, enorme, pedido de desculpas. Vou tentar ser o mais honesto possível aqui. Fatos: o último capítulo, o prólogo, foi postado no final de setembro e os meses seguintes foram bem tensos, no mínimo. Estava ocupado com tanta coisa: desde escola (a minha tem mais provas do que aulas, diga-se de passagem) até ensaios de apresentação de música. E várias outras coisas que não posso/não quero/ não vale a pena citar e que atormentaram. "Mas Gus, foi esse o real motivo da demora ou você tá dando desculpinha porque é irresponsável mesmo?" Opção 2. Minha mente estava muito ocupada com muitas outras coisas e Unova estava em segundo plano, não vou mentir, mas não porque eu queria mantê-la em segundo plano, mas sim porque... bem, eu estava com o bloqueio criativo bem forte. Sou daqueles que só consegue escrever um capítulo com a história inteira planejada e demorou pra um planejamento aparecer sólido e agradável na minha mente. Refiz tudo no mínimo 4 vezes. O capítulo 1, pelas minhas contas, foi refeito cinco vezes. Mas finalmente, consegui planejar tudo certinho e deu tudo certo. Os compromissos diminuíram, e agora estou de férias e tá tudo bem, acho que vai dar pra escrever e postas capítulos mais rápidos agora. (um agradecimento especial para meus bbs Anne e Haos por ficar tanto tempo comigo nas madrugadas planejando Unova, seus lindos <3) Desculpa, desculpa, desculpa. É isso.


Capítulo, ok. Tava bem nervoso em relação ao primeiro capítulo (continuo, inclusive) e fiquei cheio de incertezas quanto a postá-lo. Mas aqui está ele, depois de muitas remendas, tempo e frustração. 
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Spoilers aqui, claro. O capítulo começa com o Wade, um personagem autoral, que tem muito de mim, e eu espero muito que vocês gostem. É um dos protagonistas e eu escolhi revelar pouco dele pra que vocês possam descobrir com o decorrer da trama. Sem muitos comentários aqui pra não estragar. 

Depois do curto POV do Wade, vem o POV do Hilbert, que permanece pelo resto do capítulo. Outro personagem que consegue ter muito e pouco de mim ao mesmo tempo. Ele sonha em ser um Pesquisador Pokémon, como fica bem óbvio, depois de ser assistente de Juniper por muito tempo. Decidi trocar a mãe solteira do protagonista como de costume em todos os jogos por um pai solteiro carismático ~porque se não fosse pra quebrar padrões a gente não teve nem aqui né nom~. Hilbert tem grandes sonhos, quais compartilho, e tem um misto de segurança, mas que também guarda um certo idealismo (ENFP, talvez?). Logo depois vocês também conhecem Bianca e Cheren, que apesar de não muito explorados nesse capítulo, ainda vão aparecer muito no enredo.

Durante o capítulo todo, eu tentei ~really hard~ criar um clima ideal pra Nuvema, como uma cidadezinha no meio do nada (sem sabor de chocolate /qqq) que desperta nostalgia, conforto e alegria, mas que também incomoda por suas limitações e simplicidade extrema. Para os que procuram calma, o melhor lugar. Para os que procuram novidade, como Hil... nem tanto. 

No final, eu usei um quiprocó básico para desenvolver tudo e levar a história pra frente. Essas grandes corporações citadas ainda vão dar muito o que falar em Unova, é bom ficarem atentos. E o nosso inicial é... Deerling! Pode ter sido inusitado, mas tudo tem um propósito e é um Pokémon muito legal e fofinho. Shiro foi meio que o nome de última hora (thanks Anne dnv vc só me salva) mas me agradou bastante. Você teria coragem de criticar essa criaturinha? 

pokemon
Pouca coisa aconteceu como um todo, mas é um capítulo de apresentação, after all. Espero que tenham gostado e espero que eu consiga publicar capítulos mais rapidamente (juro que vou tentar muito!). 

Aquelas musiquinhas 

Para o capítulo 1, a música que mais inspirou foi Vilarejo, da Marisa Monte. Tá, não é completamente o clima de Nuvema, mas é bastante. Conheci ela muito tempo atrás e era uma das minhas preferidas da Marisa, só que estava escrevendo esse capítulo e nem me lembrei dela na hora. Até que ouvi ela em uma apresentação dos meninos do The Voice Kids e minha mente ficou tipo "aaaaa essa música é muito Nuvema como não tinha pensado antes socorro!!!" Não é muito comum ter música nacional como OST pela Aliança, mas essa merecia <3. 


Sobre final de ano, 2016 e 2017

Sim, eu sei que todo mundo já disse que 2016 foi um ano m*****. E foi mesmo. Tanta coisa ruim aconteceu que parecíamos estar vivendo em uma realidade alternativa em que tudo de mais surreal poderia acontecer a qualquer momento - e aconteceu em vários momentos. 

Não foi um ano piedoso: tragédias humanitárias aconteceram por todo mundo, como de costume, mas agravadas. Ídolos e ícones da cultura pop (alguns da comunidade LGBT+ também) nos deixaram. Ah, David Bowie... Prince, George Michael... E o que dizer da nossa empoderada e maravilhosa ex-Princesa Leia, agora General Organa, Carrie Fisher? 

Elencar as coisas ruins desse ano poderia me trazer problemas, então me resta falar das coisas boas. Foi o ano em que comecei Unova. E embora tenha publicado apenas dois capítulos nele, me deu gás para continuar nos próximos anos. Que em 2017 consiga publicar muitos e muitos capítulos e realizar as ideias que tenho na cabeça já há muito tempo. 

2017 tem tudo pra ser pior, mas precisa ser melhor. E pra todos vocês que estão lendo isso dia 31, ou dia 1 de janeiro de 2017, meu sincero Feliz Ano Novo! Parabéns por ter chegado aqui principalmente se você for de alguma minoria porque não foi fácil e vamos seguir para o próximo nível. Beijos de luz <3




Capítulo 1


Brisas do mar que trazem a sensação de algo chegando

 A noite fria já tardava em duração em Nuvema.

A cidade trazia no ar o estigma de simplicidade, como próprio de um pequeno aglomerado, e, embora não houvesse muitas luzes a brilhar pelo solo – como sentinelas –, as estrelas, incontáveis, eram mais visíveis do que em qualquer outro lugar de Unova. Era um lugar baixo, ao nível do mar, com várias casas não muito sofisticadas ou diferentes entre si. A pequena vila não era pavimentada, e seus sapatos já estavam cheios de areia. Várias luzes amareladas pequenas apareciam ao horizonte, em postes meio velhos demais que hora ou outra piscavam, dando ainda mais a sensação de pacatez. Cada casa, simples e aconchegante, trazia perto de si um poste, um jardim e uma caixa postal. Era rodeada por árvores homogêneas e escuras, como típico dos lugarzinhos no meio do nada. O prédio mais chamativo, de longe, o laboratório da Professora Juniper – embora parecesse mais uma residência pomposa e espaçosa do que um estabelecimento tecnológico e incomum. O leve toque das brisas gélidas provenientes dos mares, logo abaixo do cais onde estava, lhe davam calma e prazer. A Lua parecia estar tapada por alguma nuvem. Wade subitamente sentia uma estranha sensação de nostalgia de um lugar que nunca visitara. 

Ao virar-se para o mar, o garoto encontrava a imensidão infinita do mar, escurecido pela noite, enquanto o vento lhe dava alívio. A sensação de vivacidade era indescritível. Queria só ficar ali, por um bom tempo, sentindo as brisas, vendo o mar, a lua e as estrelas e refletindo sobre o futuro, a vida, o universo e tudo mais. Pena que não podia se dar esse luxo. O tempo estava passando e a aurora logo estaria ali. A professora acordaria logo mais, perceberia o que acontecera e ligaria para a polícia. Wade não só cumprira sua missão, como ultrapassou o que lhe pediram para fazer.

Foi bem mais fácil do que pensou que seria. Por viver em uma cidadezinha pacata e isolada com pouquíssimas pessoas, Juniper parecia não se preocupar nem um pouco em colocar qualquer tipo de segurança especial para o seu laboratório além de trancas simples. Nada de câmeras, nada de senhas complexas, alarmes ou qualquer coisa do tipo. Entrou e saiu em um período de tempo muito curto, sem fazer nenhum barulho estrondoso, passando bem longe de acordar a professora na residência ao lado. 

Wade estendeu o pulso e olhou as horas no Xtransceiver. Ainda faltava bastante tempo para amanhecer, afinal. Sentou-se no cais e se deu o privilégio de observar o mar e as estrelas por mais um tempo, retirando sua mochila das costas e colocando-a a seu lado. 

O cenário em que estava lhe dizia coisas como nostalgia e infância mesmo que aquilo tudo não significasse nada para ele. Crescera quilômetros e quilômetros dali, nos bairros sujos de uma metrópole brilhante e tecnológica. A simplicidade do campo, as estrelas e todo aquele clima não lhe diziam nada. Estava acostumada com os grandes arranha-céus, o barulho e a correria. Não que preferisse a tranquilidade. Sempre fora um garoto urbano. Mas, sentia que estava precisando daquele momento. 

Um momento longe da lembrança dolorida de Corey. Irmãozinho, você adoraria isso. Um momento longe das palavras da velha Morg. 

Não, não tenho esse momento. Se descansa apenas após a luta.

Tudo voltava, como um turbilhão. 

– Deixe a vingança para os tolos, algo precisa ocupá-los. Deixe que tenham a falsa satisfação de recompensa. Deixe que pensem que um indivíduo tem culpa em seus sofrimentos. – Se recordava de seu perfume forte, dos trajes pesados, com o emblema ao centro de uma capa escura. Os cabelos brancos caindo ainda longos pelo pescoço, as joias por cima da pele negra quase no mesmo tom que a de Wade; as unhas pintadas em prateado brilhante. – Me chamam Sábia por uma razão. Faço justiça, e a justiça dá uma briga muito mais árdua. Os tolos não têm tempo para ela. Mas você não é nenhum tolo, meu lindo jovenzinho. 

Um tolo, não. Só medroso e inseguro. 

Inspirou profundamente e depois expirou, enquanto o vento fazia seus cachinhos escuros dançarem. 


...


O brilho e o barulho pareciam uma bomba recém-lançada perto de si.

– Hilbert! 

Seus olhos se abriram com dificuldade. 

A figura de seu pai se formou em sua visão. O corpo robusto, os traços fortes e ao mesmo tempo suaves, pele clara, os cabelos loiros bem curtos e a barba quase-ruiva. Vestia uma calça preta, botas marrons e uma camisa verde-água naquele dia. Seu rosto dizia que já estava acordado há um bom tempo e debochava da preguiça do filho. Hilbert sabia que ele estava prestes a dizer algo do tipo “a preguiça não sai de você nem no dia mais importante”.

Foi exatamente o que ele disse. 

– Bianca e Cheren já estão aqui, te esperando. Se arrume logo e desça – disse, ainda com um sorriso de deboche no rosto. 

Hilbert tocou os cabelos desgrenhados, sentindo o quão bagunçados e sujos estavam. Respirou fundo e sentou-se em sua cama. 

– Tá, tá. Já vai, tô indo. 

Seu pai fechou a porta de seu quarto e o deixou sozinho. 

Estava tudo em desordem. O lençol de sua cama estava quase todo fora dela. Seu guarda-roupa parecia quase um enfeite irrelevante, visto que haviam roupas espalhadas por todo o quarto. Sua estante parecia a parte mais arrumada, mas mesmo assim, ao menos três livros estavam no chão, jogados na noite anterior quando o sono lhe viera e não queria levantar de sua cama. Seu PC ainda estava ligado na mesa a frente da cama. 

Longo trabalho pela frente, pensou. Não pra mim, espero. 

Após um bom banho, foi finalmente se arrumar. 

Escolheu suas calças pretas, os tênis vermelhos com detalhes brancos e negros e uma regata escura. Dirigiu-se ao espelho. Seus cabelos lisos castanhos estavam maiores, próximos aos ombros, embora não os tocassem. Eles lhe rendiam mais elogios do que sua capacidade intelectual ou... qualquer outra coisa. Os olhos castanhos grandes e confiantes também chegavam quase lá. Espinhas cresciam por vários lados do rosto de traços suaves. Tinha crescido pouco, mas continuava alto para a idade. Magro como sempre, mas mais encorpado. Finalmente, colocou seu casaco azul-claro com o colarinho mais escuro e fechou o zíper; e o boné nas mesmas cores do tênis que acabara de achar jogado em um canto perto da mesa, após conduzir a franja para trás.

Sua bolsa preta e azul o esperava debaixo da cama, até que enfiou tudo de útil que encontrou no quarto dentro dela. Livros, roupas, acessórios, tudo. Só deixou de fora o Xtransciever, para depois prender o dispositivo ao pulso sobre a pele branca. 

Hilbert mal acreditava que o dia estava finalmente ali. Depois de um longo tempo trabalhando com a Professora, poderia finalmente dar início ao seu grande sonho. O vislumbre de seu quarto pela última vez lhe trazia à mente construções romantizadas do que viria pela frente: infinitos pokémons diferentes, exóticos e especiais para estudar; batalhas esplêndidas de encher os olhos. Imaginava as longas horas de análise para cada pokémon que capturasse. Os prédios de Castelia acima das nuvens, as luzes de Nimbasa a brilhar na noite como fogos de artifício no céu, a diversidade bela de cada floresta, caverna, lago, mar. Um sentimento profundo de empolgação e surrealidade tomava conta de sua mente.

O movimento de fechar a porta de seu velho e comum quarto era como abraçar tudo isso. 

Ao descer as escadas, dedicou seu pensamento a um saudosismo de Nuvema, sua casa e seu pai. Sentiria saudades, com certeza. 

Seu pai estava sentado à mesa da cozinha, acompanhado de Bianca e Cheren ao seu lado. Os três pareciam concentrados na TV, logo a frente da mesa. Hilbert presumia que deveriam estar comendo algum tipo de sanduíche e bebendo leite de Miltank.

– Bom dia! – Bianca cumprimentou, com um sorriso dócil que guardava um tom de ironia. Naquele dia, usava um traje limpo e arrumado: uma blusa laranja sobre um vestido branco não muito longo, meias combinando, sapatos amarelos e um chapéu verde acima dos cabelos louros lisos e curtos. Era engraçado como sua aparência dava uma impressão de organização quando sua personalidade era totalmente oposta. Tinha um rosto por natureza aconchegante e suave, pele branca e olhos verdes.

Hilbert respondeu o gracejo e juntou-se a eles, puxando uma cadeira.

– Que tipo de Pesquisador Pokémon decente acorda essa hora do dia, eu me pergunto – Cheren provocou, enquanto limpava os óculos na blusa branca e vermelha que vestia sob um casaco azul. Sua face era habituada à seriedade, mas por hora ele se permitia brincar, especialmente se fosse com Hilbert. Os cabelos negros lisos e curtos estavam perfeitamente no lugar exceto por alguns fios para cima.

Não perderia a oportunidade de se mostrar:

– O tipo que passa as noites estudando tudo que pode para ser o melhor, e, por isso, se permite alongar um pouco seu sono de beleza.

Os três riram. 

Seu pai lhe ofereceu um sanduíche e um copo de leite. 

– O que vocês estão vendo? – Hilbert perguntou, sobre o programa que passava na televisão. 

Só então tomou um tempo para observá-la e ver uma mulher de traços marcantes, pele cor de oliva, lábios e sobrancelhas bem-feitas em cima de um palanque fazendo um discurso sobre uma guerra antiga. Ao notar os trajes formais cerimoniais e o fundo, percebeu que deveria ser uma das Embaixadoras do Prisma em reunião. A insígnia em seu blazer indicava que era de Nimbasa.

– Uma reunião no Prisma. Amanhã os Embaixadores finalmente escolherão um novo líder – seu pai respondeu, desligando a televisão logo em seguida.

Hilbert não tinha muitas expectativas. Guardava um medo de que os alleossistas escolhessem Alder em sinal de revolta, mas Alder estava longe de ser o representante da Liga tradicional que queriam; e era muito improvável que ocorresse.

– Estarei em Accumula amanhã, se tudo correr bem. 

– Falando nisso... E aí, estão empolgados? – Ele questionou. – Quais são planos de jornada de cada um?

Os três se entreolharam por um momento. 

Cheren foi o primeiro a responder, esboçando um olhar resoluto com os pequenos olhos azuis-escuros. 

– Quero me tornar o mais forte possível. Desafiar todos os treinadores possíveis, os líderes de ginásio, dedicar o máximo possível do meu tempo para treinar meus pokémons. E me preparar definitivamente para a Liga Pokémon. 

– Nenhuma surpresa vindo de você, Cheren – seu pai sorriu. Era ainda um homem jovial, quase alcançando os quarenta e seus sorrisos não eram muito diferentes dos de Hilbert. – Serei o primeiro na arquibancada quando batalhar na Liga Pokémon.

– Vai ter que viajar em breve!

– Assim espero. E você, Bianca?

A moça já havia terminado de comer seu sanduíche e seu copo estava vazio. 

– Bem... quero me tornar tão forte quanto Cheren e conhecer toda a região. Provar pro meu pai que posso ser uma boa treinadora independente e que Nuvema não é pra mim. – Ainda havia um certo tom de incerteza em sua voz, mas ainda assim, Bianca soava mais consistente e madura do que o usual em suas palavras. – E ter tempo para viver aventuras, afinal. 

O homem parecia ter ficado muito satisfeito com a resposta.

– Com certeza você pode ser uma boa e independente treinadora e não precisa provar isso pra ninguém. O seu pai só precisa se resolver consigo mesmo. E, as aventuras são todo o ponto de sair em uma jornada. Não se esqueçam disso. 

– Não iremos – ela prometeu.

Todos haviam terminado suas refeições.

– É, a Professora deve estar esperando por um bom tempo já... – o pai começou. – Tá na hora de vocês irem. 

– Espera – Hilbert contestou – você não quer ouvir o que eu tenho pra dizer?

– Na verdade não. Estamos todos cansados de ouvir. 

Bianca soltou um risinho.

– Que piada engraçada, pai, parabéns. Você continua não tendo nossa idade.

– Por que eu ia querer ter quase quinze anos? Crises hormonais?

Eu não tenho crises hormonais, quase disse. Pensou mais um pouco. Melhor não.

– Fala logo, Hil – Bianca estava ansiosa para sair dali, com as pernas inquietas. 

Seu pai assentiu. 

Se sentia em um filme do PokéStar em que todo mundo esperava o protagonista lançar um longo monólogo deixando claro todas as suas motivações e objetivos porque o roteirista tinha preguiça de fazer isso de maneira mais sutil e desenvolvida. 

– Quer saber, acho que vocês me aguentam demais falando dos meus sonhos diariamente mesmo – ele começou a rir – Vamos, a Juniper deve estar inquieta.

Os quatro se levantaram da mesa e se direcionaram à porta. Os três adolescentes passaram por ela enquanto o homem permaneceu dentro da casa. 

– Não se esqueça de passar aqui antes de sair – disse. Seu olhar transmitia ao mesmo tempo alegria e um pesar escondido.

Um aviso óbvio, mas que transparecia uma inédita insegurança. Hilbert sabia que, no fundo, seu pai estava bem preocupado com si. 

– Lógico que vou, pai. Relaxa. 

Ele assentiu. Bianca e Cheren se despediram e os três seguiram rumo ao laboratório.

Estava um belo dia. No entanto, a noção de Hilbert de dia bonito diferia da maioria das pessoas. As nuvens tapavam o sol e cobriam o céu, deixando-o em tons escuros de azul. Sentia a umidez do ar anunciando uma chuva que passou ou que estava por vir, e as brisas frias do mar, plenas de graça, paz e nostalgia. 

A cidade era sempre singela. Nas ruas, poucos se encontravam, em parte por causa do clima que afastava alguns, em parte porque era esse o padrão de Nuvema. As pessoas que caminhavam pareciam estar calmas e tranquilas, no entanto. Ao subir os olhos, via casas parecidas – quando não idênticas – e com o clima campestre de sempre. Nada de cercas, trancas, prédios ou mesmo comércio diversificado. No máximo, se comprava comida. O resto era encomendado de outros lugares. Nenhum Centro Pokémon, nada disso. O laboratório ficava na parte mais alta da cidade, bem distante do cais, o estabelecimento mais notório, embora não mais parecesse do que uma residência maior, nada tecnológico ou chamativo demais.

Lado a lado, os três atravessavam a vila até a Professora, enquanto Bianca cantarolava, e Cheren se juntava a ela na ansiedade.

Hilbert sempre gostou que fosse assim. No entanto, apesar de todas as recordações boas, reconhecia que não pertencia àquele lugar. Juniper lhe dizia que esbarrara ali procurando calma e concentração para realizar seu trabalho, mas essa escolha Hil não teria feito. Ansiava por grandeza, acesso a diferentes tipos de locais e pessoas. Sobretudo, pessoas. Bianca e Cheren eram velhos amigos que o remetiam a ótimos momentos de sua infância. Crescera com eles, e estavam sempre ao seu lado. Mas apenas eles. O garoto queria mais. Pessoas inusitadas, diversas, divertidas, que o fizessem despertar outros sentimentos, além da cumplicidade de uma relação de longa data de seus dois amigos. Talvez amor. Nuvema nunca teve uma escola, então todos os dias faziam uma viagem rápida até Striaton. De fato, uma cidade, carregada de gente, onde passou pouco tempo, e conhecera boas pessoas que teve logo de abandonar. Novidade e agitação em uma vida monótona talvez definisse mais sua vontade de começar uma jornada do que seguir o seu sonho – o qual, ainda assim, muito importante e crucial. 

Cheren resolveu quebrar o silêncio enquanto caminhavam.

– Você pretende desafiar os ginásios em sua jornada, Hilbert? 

Ele não havia realmente pensado no assunto.

– Não sei... talvez – respondeu, pensativo. – Se for para aprender mais sobre batalhas e os pokémons, provavelmente. Eu sei que que esse vai ser o ponto principal de você e da Bia, não é?

Os dois confirmaram.

– Quero muito chegar logo em Striaton pra ter minha primeira batalha de ginásio – Bianca falava, animadamente.

– Também, mas preciso ficar forte até lá – Cheren parecia determinado e centrado, como de praxe. 

Em alguns minutos, o laboratório estava ampliado na frente de Hilbert. Uma casa, quase mansão, espaçosa e alta, com telhados alaranjados escorregadios pontudos e cilíndricos, grandes e largas janelas no andar de baixo, paredes em tons de bege e marrom e uma chaminé pequena. Um ambiente bem conhecido para ele. Permanecia no ponto mais alto, isolado, sem estabelecimentos ou residências próximas. 

Entraram pela grande porta de madeira. 

O cenário exterior cumpria bem o trabalho de enganar os mal-avisados. Hilbert já se acostumara com o lugar e seus amigos haviam visitado ali um par de vezes, mas mesmo assim o charme permanecia toda vez que entrava. O laboratório se assemelhava a um grande armazém, espaçoso e limitado por um teto – o chão do andar de cima, mais reduzido, cuja entrada se dava pelas escadas. O espaço estava preenchido com tecnologia avançada de todas as formas. Computadores potentes ficavam sobre mesas de madeira, operados por cientistas que ajudavam Juniper – oito, ao todo –, dividindo-as com amostras, livros, instrumentos químicos e mecânicos, pokébolas, cadernos e outras coisas.  Estantes bem mais altas que ele se espalhavam, mais de trinta, cada uma guardada por uma parede de vidro, e uma tela preta presa ao teto por fios resistentes podia ser acendida ao centro da sala – caso precisasse de algum livro, podia apenas digitar seu nome com os dedos na tela, ou pronunciar seu nome próximo a ela e um retângulo azul-claro apareceria em alguma estante, comportando o contorno do livro desejado, após a prateleira ser indicada na tela. De vez em quando avistava grandes tubos cilíndricos azuis, quais a professora utilizava para estudo de pokémons específicos, fora de suas pokébolas. 

A Professora Juniper estava de costas, em pé, com as mãos apoiadas em sua mesa no final da sala. Uma outra figura a rodeava, mas Hil não conseguiu identificar de primeira. 

– Professora? – chamou.

Ela se virou, e os três se aproximaram.

– Hilbert, Cheren, Bianca... – cumprimentou-os em voz pacífica. Juniper era uma mulher jovem, embora Hilbert nunca tivesse perguntado sua idade. Possuía cabelos castanhos-claros lisos, porém volumosos; e olhos verdes marcantes. Sua pele branca estava coberta por uma blusa e sapatos alvos simples, uma saia verde, brincos rubros e o tradicional jaleco branco com bolsos. Sua face, comum, suave e fina. – Me desculpem, mas...

Após alguns passos, Hilbert finalmente pôde vislumbrar a figura de antes. Se tratava de um policial alto, trajado e sério. 

– Sinto muito, garotos – a voz do homem era grossa. – Suas pokédexes foram roubadas, esta noite. Os pokémons que seriam seus primeiros, também. Chegamos assim que a professora nos alertou, e temos investigado desde então, mas parece não haver nenhum sinal do ladrão nesta sala, mesmo com as análises forenses. Acho que suas jornadas ficarão para outros dias. 

As palavras soaram como um coice de deerling. O rapaz estava incapaz de acreditar que toda a sua expectativa havia sido estraçalhada dessa maneira. Não, tem que haver uma alternativa.

– Como? – era a voz de Cheren.

– Não sabemos. Foi um furto bem planejado e bem executado. Sem rastros. O ladrão só pegou as pokédexes e pokébolas, dentro de uma caixa na gaveta da professora e foi embora. Provavelmente usava luvas ou algo assim. 

– Mas... foi recente, não? O ladrão deve estar por perto – Bianca sugeriu, claramente desapontada.

– Bem, procuramos por Nuvema toda a manhã e nada encontramos. Nada de pista, suspeito, nada. É bem provável que ele já esteja bem longe desta cidade, moça. Mas alertamos todas as delegacias nas proximidades. 

– Então... voltamos pra casa? – perguntou Cheren. Talvez ele estivesse bem mais desapontado do que Bianca e Hil juntos, mas não gostava de demonstrar. 

Juniper soltou um longo suspiro, em um misto de cansaço e desesperança. 

– Sim. Sei que devem estar se sentindo azarados e desapontados agora, mas não há outro jeito. Voltem para casa. Vou acompanhar as investigações e a polícia me manterá informada. Sei que meus amigos providenciarão novos pokémons para vocês em alguns dias e podemos tentar fabricar mais pokédexes. Não prometo nada, mas é tudo que tenho. 

– É claro, sim... – A garota loira tentava soar compreensiva, enquanto levava os dedos aos cabelos para enrolá-los como sinal de ansiedade. – Se é o jeito, voltamos outro dia. Nos avise quando, e se proteja.

– Tomarei cuidado, Bianca. Obrigada pela preocupação. 

A professora acompanhou o trio até a porta, enquanto o policial esperava em sua mesa. Despediu-se de Bianca e Cheren com um cumprimento de mãos, e segurou o braço de Hilbert, impedindo-o que deixasse o estabelecimento. 

– Preciso que você me ajude com a pesquisa que você me ajudou a fazer semana passada. 

Ela guiou o rapaz até sua mesa, onde dispensou o policial, que saiu pela porta e prometeu notícias. 

– A qual pesquisa você se refere, Professora? – Ele disse.

Ela fez um aceno.

– Vem, vou te mostrar.

Professora Juniper o levou para o canto esquerdo da sala, a parte mais vazia. Um computador sustentado por uma mesa de cadeira vazia estava próximo de um tubo cilíndrico azulado bem largo, embora não muito alto. 

Então, Hilbert se lembrou de qual pesquisa ela se referia. Havia um pokémon dentro do tubo: um deerling macho, adormecido. 

– Sim, me lembro. 

Há uma semana, Juniper lhe pediu um trabalho de observação e estudo de um pequeno pokémon que encontrara. Hilbert servia a Professora havia muito tempo, e aquele era uma das primeiras pesquisas inéditas que confiara ao garoto. Tudo o que tinha que fazer era um perfil completo da criatura: aparência, sexo, comportamento usual, alguns movimentos e, em especial, o fenômeno de troca de forma sobre o qual Hil tanto lia, porém nunca presenciara.

 Logo conhecera o bichinho: o tímido veado rosa-amarelado com uma espécie de “capa” de pelos marrons e amarelos que se iniciava nas costas e seguia até o colarinho, passava pela cabeça até a testa. Um trabalho de campo: com o deerling solto por Nuvema, o seguiu por um dia completo com seu caderno na mão e Xtransciever ligado. Peculiar, no mínimo. Assustado com humanos, como próprio de sua espécie, tendia a não reproduzir as corridas calorosas e pulos alegres como na natureza, onde não era atormentado. Isso tornava tudo mais difícil: o menino buscava ganhar sua segurança, para que perdesse o receio e se comportasse em plenitude. Comida funcionava, mas só por um tempo, até que voltava com o medo. O pokémon também não permitia carinho e odiava que tocassem nele. Já não sabia mais o que fazer, até que o retornou para a pokébola e levou-o para sua casa. O deerling bagunçou a casa toda, até que descobriu a geladeira, o freezer e o gelo. Hilbert logo percebeu que, embora estivessem no auge do inverno em Unova, Nuvema não possuía gelo ou neve e não ia muito longe no frio, apesar da umidez, e a forma invernal do pequeno veado não se sentia completamente satisfeita. Deslocado, pensara, como eu. Hilbert passou a usar o gelo como forma de atraí-lo para onde quisesse. Então, começou a criar intimidade e adquirir confiança. De vez em quando, esfregava gelo em seu pelo, e o deerling pulava e corria de alegria. Hil o levou aos jardins de casas vizinhas, ao mercado, às bordas dos bosques próximos. Mas ele tinha um apreço maior pelo cais, onde os ventos frios batiam mais forte. Hil decidiu nomeá-lo para facilitar: chamou-o Shiro. 
Nos dias seguintes, continuou a observá-lo, até que a troca de estações batera à porta. A última noite de inverno logo surgiu no horizonte e Hilbert tinha planos: queria passar a madrugada acordado, no cais, ao lado de Shiro, para presenciar o exato momento de sua troca de forma, inspirado pelos livros que havia lido, As formas Pokémon: condições e implicações, volumes um, dois e três. Na noite estranhamente fria, levou mantos e cobertores para plataforma de madeira, com Shiro perto, deitado, acordado enquanto se deleitava com as brisas. Hil estava pronto, atento, de caderno e caneta do lado, quando precisasse. O veado logo adormecera e o garoto ficou observando as estrelas. Sem perceber, enquanto o sono vinha sagaz, se pegou pensando em sua futura jornada e nas estrelas de baixo de cidades maiores. Nos sonhos, nos rostos, nos desafios. Seu último vislumbre foi o céu negro salpicado de alvo brilhante quando seus sonhos de luz se transmutaram em seus sonhos apagados. No dia seguinte, a leve lambida de Shiro o despertou e via um pokémon diferente. Suas costas, pescoço, orelhas, rabo e parte da cabeça agora eram cobertos por um manto de pelos róseos, limitados por uma linha de pelos amarelados. Seu tufo dourado em cima da cabeça lá permanecia, mas cheirava a pétalas de rosa. Os cheiros de primavera transbordavam do pequeno deerling e ele se levantava, renovado, em sua forma primaveril. 
Entregou a Juniper uma pesquisa completa e detalhada, e, embora perdera o momento tão desejado, estava feliz com o resultado de seu trabalho. A professora o encheu de elogios como raras vezes antes. 

– O que tem ele? 

Ela se virou exatamente de frente para ele e o olhou seriamente nos olhos. 

– Eu sei quem roubou suas pokédexes e pokémons, Hilbert. 

Ele não entendeu a situação, mas então...

– E quem é este criminoso que está além do alcance da polícia, Juniper?

– Bem... – seus lábios se contorceram em um sorriso irônico – Grandes corporações. Escute, quando eu iniciei o projeto de desenvolvimento do Dispositivo de Reconhecimento, Registro e Estudo Pokémon de Unova, pensei nele como um instrumento exclusivamente de pesquisa, em que usaria vocês para ampliar minha compreensão das espécies dessa região, e, eventualmente, de espécies estrangeiras, como vários professores de outras regiões já fizeram. Você é muito promissor, Hilbert e eu sei que me ajudaria muito com isso. 

– Obrigado, professora. 

– Não me agradeça por dizer a verdade. Enfim, algumas empresas ligadas à Liga Pokémon me contataram, fábricas de pokébolas, equipamentos, você as conhece; e me apresentaram uma proposta: queriam comercializar as pokédexes para todos os treinadores de Unova. Uma ótima ideia, afinal, seriam muito mais pessoas me ajudando a coletar os dados que preciso. 

– E o que a fez recusar?

– Eles... –  estava sussurrando –  teriam acesso a todos esses dados. E eu sei o que podem fazer com eles. Dar prosseguimento aos produtos de alteração genética Pokémon para torná-los armas robóticas lutadoras; venenos e pokébolas especializadas para contribuir na caça de pokémons raros... Você, mais do que ninguém, sabe bem o que penso desses pesquisadores corporativos. Eu nunca faria isso. Outros, porém... 

O garoto se lembrava das queixas dela, e compartilhava delas. A ciência deles tinha apenas um foco: dinheiro; e ignorava os danos às pobres criaturas, algumas à beira do total desaparecimento. Que horrível e desolador seria se esses dados chegassem a suas mãos.

– Você acha que eles roubaram as pokédexes para replicar, mudar algumas coisas para que não consiga processá-los e colocar no mercado?

– Fale baixo, Hilbert. Precisamente. – Sua voz estava tão baixa que quase não conseguia ouvi-la. – Pode ter sido algum dos criminosos que trabalham para eles, algum dos meus próprios parceiros cientistas... Não importa, seríamos ridiculamente ingênuos se achássemos que conseguimos pará-los. Está muito além de meros mortais como nós. Não posso parar minhas pesquisas e não posso impedi-los de iniciarem suas jornadas.

Sempre poderosos demais.

– O que vai fazer, então?

– Amanita e Fennel. Minhas amigas mais confiáveis. Cada uma delas tem um protótipo da Pokédex. Você irá até elas, em Striaton e recolherá uma pokédex, para você. Quando chegar lá, deixe que eu fale com elas pelo Xtransciever. Bianca e Cheren vão ficar sem, mas precisam de pokémons...

– O deerling. Shiro. Quer que eu o leve como primeiro pokémon e o use para capturar os iniciais de Bianca e Cheren e para chegar em Striaton. 

– Exatamente. Preciso que faça isso por mim. Direi para Bianca e Cheren o que for necessário.

Hilbert abriu o sorriso largo e riu. Juniper retribuiu o ato, contente.

– É claro que vou fazer. Muito obrigado por me ajudar em meus sonhos. 

– Essas são minhas palavras, Hil. Boa sorte!

Os dois se abraçaram e a professora o presenteou com algumas pokébolas – dez, exatamente – e Shiro estava em uma delas. O conduziu até a porta, onde se despediram. 

Hil saiu daquela porta com um sentimento reconfortante e ao mesmo tempo, de receio. Seu coração palpitava pela oportunidade e pela realização de sua vontade, mas lá dentro também havia lugar para uma sensação desafiadora. Finalmente. Finalmente. Finalmente

A despedida fora desajeitada. Entre abraços e sorrisos, o que Hilbert menos esperava era receber tênis novos de presente. Ele percebia no pai o mesmo sentimento de antes. Ficara surpreso ao saber sobre o roubo, mas então Hil o acalmou, dizendo que mesmo assim havia obtido seu pokémon inicial e que pegaria sua pokédex em breve, numa cidade próxima. 

Depois de muito tempo, o garoto encarava o homem – o primeiro, do lado de fora, com a quase-claridade de um tarde de primavera dando um toque dourado a seus quase-longos e belos cabelos castanhos; o segundo, do lado de dentro, guardando a porta de madeira, com as sobrancelhas levantadas e o lábio comprimido entre as bochechas, como quem diz “Já que é pra ser assim, fazer o que?”. 

Hilbert se recusava a se aprofundar nas lembranças. Não é como se eu não fosse voltar pra cá em breve. Mas uma ou outra lhe atingiam em cheio. As brincadeiras com Bianca e Cheren quando crianças, seus aniversários, as experiências que seu pai lhe contava, os jogos que jogavam... quando, desajeitadamente, ele o tentava ajudar com seus estudos. Tanto tempo e tantos momentos para se lembrar. Não, não. 

Um abraço reconfortante e emocional. 

Três palavras de despedida.

Dois sorrisos.

Uma virada de costas. 

Uma porta fechada enquanto outra –  larga e alta, envolta em néon, com fundo de nuvens e cheiro de sal –  se abria lentamente. 

Seus passos seguiam lentamente, com seus sentimentos divididos em anseio em sair e insegurança sobre deixar. Deixar sua casa de origem, qual tanto desgostava mas tanto amava, deixar seus pais, seus amigos de infância, o cais, Juniper, o laboratório, as brisas do mar que davam a sensação de algo chegando. Visualizava a vila, toda, quando seu corpo alcançou a última casa, no alto. Uma casinha simples e idêntica a todas as outras. Mas até a mediocridade tinha seu charme. 

Hilbert alcançava a Rota Um, com o coração explosivo em nostalgia e empolgação, à medida em que o singelo vilarejo desaparecia aos poucos de sua visão na tarde nublada. 



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